terça-feira, 24 de novembro de 2009

Brasil e Irã declaram repúdio às armas nucleares




Os presidentes do Brasil e do Irã assinaram ontem declaração conjunta em que expressam ”inabalável repúdio às armas de destruição em massa, em particular às armas nucleares, cuja existência implica uma séria ameaça à paz e à segurança internacionais e à sobrevivência humana”.
   Ainda no documento de 17 páginas, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores após conversa de três horas mantida por Lula e Mahmoud Ahmadinejad, os dois líderes reafirmaram “seu compromisso com o desarmamento e a não-proliferação nuclear e sublinharam a importância de que se tomem medidas práticas no campo do desarmamento”. Além disso, “manifestaram seu apoio a uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio”.
   Em entrevista após a reunião, o presidente Lula voltou a expressar o reconhecimento brasileiro ao “direito” iraniano de desenvolver um programa nuclear “com fins pacíficos” e obediente aos acordos internacionais.
   “Aquilo que defendemos para nós, defendemos para os outros. O Brasil não insiste em mediar a polêmica. O que defende é que o Irã tenha e exerça o direito de enriquecer o urânio para fins pacíficos, para energia, porque o Brasil também adota esse método”.
    Já o presidente do Irã saiu do encontro com Lula reclamando mudanças profundas no Conselho de Segurança das Nações Unidas que, na avaliação dele, fracassou.
   “O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve passar por mudanças fundamentais. O Conselho de Segurança fracassou nos últimos 60 anos, no sentido de estabelecer a segurança em todo o mundo”, disse Ahmadinejad, que defendeu um assento permanente para o Brasil no conselho. 
   “O governo do Irã e o governo do Brasil, incluídos eu e meu bom amigo presidente Lula, estamos procurando construir um mundo distante da hostilidade. Um mundo onde não haja ocupações ou guerra, um mundo distanciado das discriminações”, afirmou o presidente iraniano.
   Ahmadinejad disse que a presença do Brasil no Oriente Médio pode ajudar no processo de paz. Ele afirmou também que o país poderá ser um elo entre o Irã e a América Latina.
   “Os dois países, igualmente, desejam buscar um fim às humilhações e agressões militares perpetradas e procuram um mundo livre de armas, principalmente de armas nucleares”.
   Ahmadinejad disse que o Irã já respondeu a todas as perguntas da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa nuclear do país, criticando os Estados Unidos por criarem pretextos para contestar o desenvolvimento da tecnologia iraniana.
   “O governo de Bill Clinton elaborou pretexto falso para impor sanções ao Irã. Não é novidade que muitas vezes os países do ocidente têm nos confrontado”.

    Nos tratados bilaterais, Brasil e Irã decidiram extinguir a exigência de visto diplomático para entrada nos dois países. Os dois governos assinaram ainda acordos de cooperação nas áreas de cultura, tecnologia, energia, mercado financeiro e agricultura.
   Em frente ao Palácio do Itamaraty, onde Lula e Ahmadinejad se reuniram, um grupo de manifestantes reclamou da visita do líder iraniano. Um batalhão de cavalaria foi mobilizado para garantir a segurança da comitiva do Irã, mas não houve confronto.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Obama termina visita à China para estabelecer relação estratégica



PEQUIM - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, encerrou nesta quarta-feira sua primeira visita oficial à China após um encontro com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e com uma visita à Grande Muralha.


Em comunicado no final da visita, a Casa Branca afirmou que a viagem "mostrou a profundidade e amplitude dos desafios onde a cooperação entre EUA e China é crítica. Suas conversas com o presidente Hu (Jintao) fortaleceram as possibilidades para uma futura cooperação".
O presidente americano, segundo a Casa Branca, convidou o presidente da China, Hu Jintao, a visitar Washington no próximo ano, o que foi aceito pelo líder chinês.
Último dia de viagem
Obama concluiu sua visita a Pequim com um percurso pela Grande Muralha e uma reunião com Wen, na qual abordou assuntos como a economia e o programa nuclear da Coreia do Norte.

Obama aproveitou o último dia na China para visitar a Grande Muralha / AP

O primeiro-ministro chinês foi a Pyongyang no mês passado para uma reunião na qual o líder norte-coreano, Kim Jong-il, expressou sua vontade de retomar as negociações multilaterais sobre o programa nuclear da Coreia do Norte se os EUA aceitassem manter conversas bilaterais.
No início da reunião, Obama disse a Wen que a relação de seu país com a China deixou de ser meramente centrada na economia para se estender a toda uma gama de problemas globais.
"A relação costumava se concentrar apenas na economia e no comércio, e agora se expande para abordar toda uma série de assuntos globais, nos quais a cooperação entre EUA e China é crítica", disse Obama, no início de uma reunião com Wen, em Pequim.
O primeiro-ministro chinês disse que "realmente estamos no caminho de avançar nesta relação".

Obama se encontrou com Wen Jiabao nesta quarta-feira / AP

Reunião com presidente na terça-feira
Obama já tinha se reunido na terça-feira com Hu Jintao, com quem abordou uma ampla gama de assuntos, da mudança climática aos programas nucleares da Coreia do Norte e do Irã, incluindo economia e direitos humanos.
Os dois elogiaram o bom estado da relação, mas pareceram registrar poucos avanços concretos.
Em alguns aspectos, como o comércio - onde Hu advertiu aos EUA contra o "protecionismo em todas suas formas" - e os direitos humanos, onde um comunicado conjunto admitiu "dissensões", as diferenças foram evidentes.

Barack Obama foi recebido por Hu Jintao em Pequim na terça-feira / Reuters

Diferenças persistem
No entanto, a Casa Branca considera que se cumpriu o objetivo da viagem, que era começar uma troca de impressões com a potência emergente.
"Não esperávamos que abrissem os céus e que tudo fosse mudar durante uma visita de dois dias e meio à China", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.
"Entendemos que há muito trabalho a fazer e que continuaremos trabalhando duro para conseguir mais progressos", disse o porta-voz.
Colaboração
A Casa Branca pode apontar algumas conquistas, como a confirmação de que a relação bilateral, nas palavras do embaixador americano na China, Jon Huntsman, está "em melhor estado do que nunca".
Em declaração conjunta, os dois países se comprometem a aumentar sua colaboração em assuntos como as energias limpas e a mudança climática.
Também expressam seu compromisso em colaborar em questões econômicas ou sobre o programa nuclear iraniano.
Direitos humanos
A atitude de Obama em sua visita foi muito diferente da de seu antecessor, George W. Bush, que sempre reivindicou com contundência à China o respeito aos direitos humanos.
O atual líder americano optou por uma atitude mais discreta - apesar de ter lembrado a Hu a necessidade de garantir "direitos universais" a todos -, que espera que traga melhores resultados a longo prazo.
Em sua visita, Obama adotou uma atitude de deferência em relação às autoridades chinesas e destacou o tempo todo a "magnificência" deste país.
Em parte devido a uma curiosidade própria, e em parte como mais uma peça desta estratégia, o presidente americano teve o cuidado de visitar algumas das joias culturais chinesas, a Cidade Proibida e a Grande Muralha.
"Zhong gua de gua, zhong dou de dou" é um provérbio chinês que significa "quem semeia melancias, colhe melancias. Quem semeia feijões, colhe feijões", para significar que colhe o que se planta.
Obama espera ter espalhado as sementes de uma bem-sucedida relação com a China, mas será preciso esperar para ver o que colherá.

Bandeira dos EUA é vista na Praça da Paz Celestial durante visita de Obama / Reuters




400 políticos americanos foram pagos para manter bloqueio a Cuba


Um relatório do grupo independente Public Campaign aponta que cerca de 400 congressistas e candidatos dos Estados Unidos receberam um valor de US$ 11 milhões (R$ 18,9 milhões) em doações de campanha desde 2004 com a condição de manter o criminoso bloqueio americano a Cuba. A lista inclui o senador republicano John McCain, derrotado pelo democrata Barack Obama nas eleições presidenciais de 2008.

Segundo o grupo — que defende o financiamento público das campanhas políticas —, o valor foi pago ainda para evitar que qualquer medida de abertura do bloqueio fosse aprovada no Senado ou na Casa dos Representantes. O relatório foi citado em reportagem do jornal espanhol El País e diz que pelo menos 18 parlamentares mudaram de opinião sobre Cuba, depois de receber doações de campanha. 

A lista de beneficiários, afirma o jornal, é liderada por três congressistas republicanos da Florida: Lincoln Diaz-Balart (US$ 366.964); seu irmão Mario (US$ 364.176) e Ileana Ross-Lehtinen (US$ 240.050) Já McCain aparece em quarto, com um montante de US$ 183.415.

As doações aos democratas, contudo, aumentaram 50% nestes quatro anos. O aumento ocorreu principalmente depois de 2006, quando os democratas conquistaram a maioria na Casa dos Representantes. Como resultado do pagamento, afirma o jornal, 53 dos deputados enviaram uma carta à presidente da Casa, a democrata Nancy Pelosi, opondo-se às propostas do presidente Barack Obama de aliviar o bloqueio. 

Iniciado oficialmente em 7 de fevereiro de 1962, o bloqueio americano sobre Cuba começou sob o governo de John F. Kennedy — mas Washington já tinha imposto certas sanções a partir de 1959. As restrições comerciais e financeiras representaram perdas à economia cubana de US$ 96 bilhões desde quando entraram em vigor, segundo o governo de Havana. Só em 2008, estima-se que Cuba deixou de receber US$ 242,4 milhões.

Obama e Cuba

O governo Obama adotou uma política de abertura em relação a Cuba, permitindo, inclusive, o fim da suspensão de Cuba na OEA (Organização dos Estados Americanos). O limite para o envio de dinheiro para parentes na ilha também foi suspenso, e Obama retomou os diálogos sobre imigração com o governo cubano e reatamento do serviço direto de correio. 

O presidente americano já afirmou, contudo, que o bloqueio não será suspenso até que Cuba sucumba ao padrão americano de democracia e liberdade — mesmo que a custo de perder as conquistas da Revolução Cubana (1959). Vários parlamentares dos Estados Unidos, no entanto, propuseram medidas intermediárias, como acabar com a proibição de viagens a Cuba para todos os americanos.


Da Redação, com informações da Folha Online


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Fidel Castro classifica de atroz acordo Colômbia-EUA

O líder da Revolução cubana e ex-presidente da ilha, Fidel Castro, classificou, nesta quarta-feira (04), de atroz e infame o recente acordo que permite aos militares americanos usar bases na Colômbia, convênio considerado por Fidel uma ameaça à América Latina. Segundo o cubano, nunca a região foi tratada com tanto desprezo, como atualmente, na gestão norte-americana de Barack Obama.
Em uma nova publicação na coluna "Reflexões", o líder cubano lamentou a assinatura do acordo porque os "Estados Unidos impõem sete bases militares no coração da América, ameaçando não só à Venezuela, mas todos os povos do Centro e do Sul do hemisfério".

Ele destacou que "não se trata de um ato do governo de [George W.] Bush, é Barack Obama que assina esse acordo, violando normas legais, constitucionais e éticas", disse, completando: "Nunca os países latino-americanos foram tratados com tanto desprezo", afirmou.

"Como pretexto, ele utilizou a luta contra o comércio de drogas que, como o terrível flagelo do para-militarismo, surgiu do gigantesco mercado americano de cocaína e de outras drogas (...) As bases militares ianques na América Latina surgiram antes que as drogas, com fins intervencionistas", afirmou o ex-líder de 83 anos, em um texto em que critica ainda as penas aplicadas ao anti-terroristas cubanos, pesos injustamente nos EUA. Veja abaixo a íntegra do artigo:


A melhor homenagem à mãe de um heroi
Por Fidel castro

Ontem, faleceu Carmen Nordelo Tejera, a abnegada mãe do Herói da República de Cuba, Gerardo Hernández Nordelo, injustamente sancionado a duas penas de prisão perpétua e mais 15 anos de cárcere. O insólito é que, há apenas 12 dias, a justiça ianque pôs em liberdade Santiago Álvarez Fernández-Magriñá, de quem foram apreendidas armas de guerra, explosivos e outros meios destinados aos planos terroristas contra o nosso povo.

Tratava-se de armas apreendidas desse agente da CIA que, a serviço do governo dos Estados Unidos, dedicou boa parte da sua vida ao terrorismo contra Cuba.

Valeria a pena que os assessores de Barack Obama, que tanto difundem os seus discursos pela televisão, solicitassem e lhe mostrassem uma cópia do vídeo da Mesa-Redonda do canal Cubavisión, onde se tratou da ridícula sanção de quatro anos numa penitenciária de mínima segurança aplicada a Santiago Álvarez pelas armas apreendidas.

E o pior foi que lhe diminuíram a sentença, após entregar à Procuradoria norte-americana outro arsenal de armas maior que o anterior. O sujeito, além disso, enviou um grupo que se infiltrou em Cuba, ao qual, entre outras ações, encomendou uma explosão no Cabaré Tropicana, sempre repleto de espectadores. Existe prova documental irrebatível dessa instrução.

Com outro terrorista de origem cubana, Roberto Ferro, aliado à máfia terrorista de Posada Carriles e Santiago Álvarez, em julho de 1991, foram apreendidas 300 armas de fogo, detonadores e explosivos plásticos. Foi sancionado a dois anos. Em abril de 2006, foram apreendidas, em compartimentos ocultos da sua casa, 1.571 armas e granadas de mão. Foi condenado a cinco anos de prisão.

Nunca será bastante o que se diga sobre o cinismo da política dos Estados Unidos, que incluem Cuba na lista de países terroristas, aplicam exclusivamente à nossa nação a assassina Lei de Ajuste Cubano, e a bloqueia economicamente, proibindo mesmo a venda de equipamentos médicos e medicamentos.

Ontem, a Mesa-Redonda da televisão, ao passo que enumerava os crimes de Santiago Álvarez, mostrava programas de televisão de Miami onde um conhecido agente dos Estados Unidos, Antonio Veciana, narrava os planos com explosivos e balas para o assassinato de líderes cubanos, entre os quais, o de Camilo e o de Che - que estavam comigo num ato do qual participavam centenas de milhares de pessoas em frente do antigo Palácio Presidencial -, ou o meu assassinato, numa entrevista coletiva no Chile, quando visitei o presidente Salvador Allende.

Afinal de contas, como confessa o mercenário, no momento da ação, os assassinos a serviço da CIA se acovardaram nas duas ocasiões. Tratava-se apenas de dois dos tantos planos de magnicídio do governo desse país.

Tais malfeitorias podem ser lembradas com sangue frio, a não ser que, como neste caso, a narração coincida com a notícia da morte, após uma longa doença, de uma mãe honesta e valente como Carmen Nordelo Tejera, cujo filho foi injustamente condenado a duas penas de prisão perpétua mais 15 anos de cárcere isolado e cruel e numa penitenciária de alta segurança. Que dor mais profunda podia existir para ela que a injusta prisão perpétua do seu filho por delitos que nunca cometeu?

Não é possível colocar uma flor no seu féretro sem denunciar, mais uma vez, o repugnante cinismo do império.

Acrescenta-se a isto outra notícia atroz escutada nessa mesma tarde: a assinatura oficial do acordo, em virtude do qual, os Estados Unidos impõem sete bases militares no coração da Nossa América, com as que ameaça não apenas a Venezuela, mas também todos os povos do Centro e do Sul do nosso hemisfério.

Não se trata de um ato do governo de Bush; é Barack Obama quem assinou esse acordo, violando normas legais, constitucionais e éticas, quando ainda os frutos da funesta base militar ianque de Palmerola, em Honduras, são exibidos perante o mundo. O golpe militar nesse país centro-americano foi levado a cabo sob a atual administração.

Nunca se tratou com maior desprezo os povos latino-americanos deste hemisfério.

Um país como Cuba sabe muito bem que, depois que os Estados Unidos impõem uma das suas bases militares, só vão embora quando quiserem, ou permanecem pela força, como fizeram em Guantânamo há mais de cem anos. Ali erigiram o odioso centro de torturas, cujas masmorras, com numerosos presos, o nosso flamejante Prêmio Nobel ainda não conseguiu eliminar.

À devolução de Manta no Equador seguiu de imediato a oficialização das sete bases militares impostas ao povo da Colômbia. O pretexto utilizado: a luta contra o comércio de drogas que, como o terrível flagelo do paramilitarismo, surgiu do gigantesco mercado norte-americano de cocaína e outras drogas. As bases militares ianques na América Latina surgiram muito antes que as drogas, com fins intervencionistas.

Cuba demonstrou durante meio século que é possível lutar e resistir. O presidente dos Estados Unidos se engana e os seus assessores também, se continuam nesse caminho sórdido e perjorativo contra os povos da América Latina. Os nossos sentimentos, sem sombra de dúvida, inclinam-se para o povo bolivariano da Venezuela, para o seu presidente Hugo Chávez e para o seu ministro das Relações Exteriores, denunciando o pacto militar infame imposto ao povo colombiano, cujas cláusulas expansionistas os seus autores nem sequer tiveram o valor de publicar.

Cuba continuará cooperando com os programas da saúde, educação e desenvolvimento social dos países irmãos que, apesar de obstáculos, avanços e retrocessos, serão cada vez mais irredutivelmente livres.

Como afirmou Lincoln: "… não se pode enganar todo o povo o tempo todo."

Não apenas colocaremos flores no túmulo de Carmen Nordelo. Continuaremos incansavelmente a luta pela liberdade de Gerardo, Antonio, Fernando, Ramón e René, desmascarando a infinita hipocrisia e o cinismo do império, defendendo a verdade!

Apenas assim, honraremos a memória da legião de mães e mulheres como ela, que, em Cuba, sacrificaram o melhor e mais prezado da sua vida pela Revolução e pelo Socialismo.

Fidel Castro

sábado, 31 de outubro de 2009

Chávez defende 3º mandato para Lula

Presidente venezuelano lamenta que Lula tenha de sair e defende 3º mandato. No entanto, garante que Dilma será eleita

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou lamentar o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter que deixar o governo do Brasil em janeiro de 2011 e defendeu a candidatura dele a um terceiro mandato. Declarou, no entanto, ter certeza de que, em 2010, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) será eleita sucessora de Lula.

"Eu lamento que Lula saia do governo. Por que ele tem de sair? Se um presidente governa bem e tem 80% (de aprovação popular), por que ele tem de sair?", perguntou Chávez, em entrevista a jornalistas brasileiros enquanto esperava o desembarque de Lula em um pista de pouso desta cidade venezuelana.

Chávez acrescentou que não entende por que a presidente do Chile, Michele Bachelet, também terá que deixar o cargo no próximo ano se conta com índice de aprovação de 60%. "Só deixo a pergunta no ar."

Ele afirmou que tem "certeza" de que Dilma será eleita para suceder a Lula no cargo em 2010. Disse ainda que Dilma "tem peso, é uma grande mulher e tem a cabeça bem ordenada."

"Ela será a próxima presidente do Brasil. Podem escrever", afirmou. A uma pergunta sobre qual será sua reação se a vitória for de um candidato opositor, o presidente venezuelano apelou para o princípio da não-interferência em assuntos de outros países: "Não me meto em questões internas. Vocês são soberanos e podem fazer o que queiram. Eu não me meto", declarou.

sábado, 24 de outubro de 2009

Esquerda é favorita nas eleições gerais do Uruguai

AMÉRICA LATINA

24 DE OUTUBRO DE 2009 - 14H27
Mujica

O candidato de esquerda à presidência do Uruguai, Jose Mujica, discursa em Montevidéu

O Uruguai realiza neste domingo eleições presidenciais e para renovar o Congresso, nas quais o aspirante da coalizão governista de esquerda Frente Ampla, o ex-guerrilheiro José "Pepe" Mujica aparece como favorito, embora pesquisas antecipem a possibilidade de um segundo turno com o ex-presidente liberal Luis Lacalle (1990-95).

Mujica esteve 14 anos preso por sua participação na guerrilha. Para afastar desentendimentos, sobretudo no setor empresarial, escolheu como vice Anilo Astori, de perfil mais moderado.

Pesquisas divulgadas poucas horas antes do encerramento da campanha, à meia-noite de quinta-feira, anteciparam 45,5% a 46% dos votos para Mujica e entre 27% e 30% para Lacalle, aspirante do Partido Nacional (PN, centro-direita); no total, estão registrados 2.584.219 eleitores.

O candidato do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, filho do ex-ditador Juan Bordaberry (1973-1976), receberia entre 13% e 14% dos votos, o candidato do Partido Independente Pablo Mieres entre 2% e 3%, enquanto os indecisos se situam entre 6% e 9%; os demais votos se dividem entre a Assembleia Popular (esquerda), e votos em branco e nulos.

Mujica e seu companheiro de chapa, o ex-ministro da Economia Astori, estabeleceram um pacto nacional para estimular políticas de Estado voltadas para a educação, a energia, o meio ambiente e a segurança pública.

O Partido Nacional, principal formação de oposição, se declarou disposto a um pacto nacional, mas criticou a proposta da FA a poucos dias das eleições.

O candidato a vice-presidente do PN, Jorge Larrañaga, disse que a iniciativa é "muito pouco crível, muito feita para a tribuna, muito próxima à instância eleitoral", mas destacou que o PN "está disposto a um pacto nacional".

Pedro Bordaberry, o candidato à presidência mais jovem da eleição de 25 de outubro, com 49 anos, representa uma renovação do tradicional Partido Colorado e uma mudança de geração no Uruguai, com projetos pragmáticos.

Nascido em Montevideu em 28 de abril de 1960, o advogado Bordaberry se afastou do exercício da profissão no início deste ano para se dedicar por inteiro à carreira política, que havia começado no início da década de 90.

Exerceu cargos nos ministérios da Indústria, Energia e Minérios, e de Turismo e Esporte, e ostentou a titularidade de ambas as pasta durante o governo colorado de Jorge Batlle (2000-2005).

Após a derrota nas eleições de 2004 do Partido Colorado, com 10% dos votos após ser o principal ator da política uruguaia por mais de um século, Bordaberry se apresentou como candidato à prefeitura de Montevidéu nas municipais de maio de 2005, conseguindo 27% dos votos. Agora, busca uma boa votação nacional.

O atual e primeiro presidente de esquerda do Uruguai, Tabaré Vázquez, conta, ao final de seu mandato,, com mais de 60% de aprovação popular, com um balanço favorável nas áreas econômica, social e militar, mas com uma política externa sem muito vigor e um fracasso no campo da segurança.

O cientista político Adolfo Garcé afirmou à AFP que do ponto de vista da administração da economia, o governo usufruiu da boa conjuntura econômica internacional que durou até a crise global, e o Uruguai foi um dos poucos países do mundo a não sofrer recessão.

O analista Juan Carlos Doyenart considera que o governo de Vázquez, que entregará o poder no dia 1º de março ao vencedor das eleições de 25 de outubro - que pode ser decidida em segundo turno em 29 de novembro - teve "uma administração acertada da macroeconomia, o que permitiu aproveitar a conjuntura".

Os dois destacaram as políticas sociais de combate à pobreza e redução do desemprego. O índice de pobreza caiu de 26% em 2007 a 20,5% em 2008, enquanto a indigência passou de 2% a 1,5%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Mujica: esquerda que não renuncia à utopia

O ex-guerrilheiro tupamaro José "Pepe" Mujica, 75 anos, conhecido pela aparência humilde é taxado pela imprensa como alguém que não tem "papas na língua", o que para seus apoiadores nada mais é do que demonstração de uma personalidade forte,que não abre mão das idéias que defende. Ele carrega em sua candidatura a promessa de levar ao poder uma esquerda popular, honesta e que não renuncia à utopia.

Ex-ministro e senador, Mujica, que tem como hobby o cultivo de flores e hortaliças em sua fazenda em Montevidéu, tentará fazer a coalizão de esquerda Frente Ampla renovar, por mais cinco anos, seu primeiro mandato à frente do Executivo uruguaio.

Nascido em Montevidéu e filho de um casal de ascendência basca e italiana, o candidato governista demonstrou cedo seu interesse pela política. Já nos tempos de escola, ele era "meio anarquista", segundo o livro "Mujica", de Miguel Ángel Campodónico. No entanto, os primeiros anos de militância do ex-rebelde foram no conservador Partido Nacional (Blanco), seu principal adversário na votação deste domingo.

Só depois de alguns anos é que Mujica mudou de rumo e se juntou aos guerrilheiros do Movimiento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T). Devido à sua condição de rebelde, ele passou mais de 13 anos preso durante o regime militar que governou o Uruguai de 1973 a 1985.

A sombra desse passado turbulento, unida a seu estilo heterodoxo, transformam o candidato governista em uma figura de grande apelo midiático.

Um dos episódios mais polêmicos desde que Mujica foi escolhido candidato nas prévias da Frente Ampla, em junho deste ano, foi a publicação do livro "Pepe - Coloquios", do jornalista Alfredo García. Nesta obra, Mujica se refere à Argentina como um país com "reações de histeria, loucura e paranoia".

As declarações do uruguaio estremeceram, no primeiro momento, suas relações com a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e o marido desta, Néstor Kirchner. Mas depois houve uma reconciliação e Mujica fez um pedido público de desculpas.

A repercussão foi grande porque ambos chegaram a manifestar seu apoio a Mujica, que parece mais preocupado em associar sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua principal referência política na região.

Após o episódio, o candidato admitiu em seu blog a importância de saber ficar calado, consciente de que suas derrapadas lhe valeram críticas tanto da oposição como dentro da própria Frente Ampla, onde dirigiu durante anos o Movimento de Participação Popular (MPP), grupo majoritário na coalizão.

No entanto, o estilo afiado e direto deste ex-ministro da Pecuária (2005-2008) é avaliado de forma positiva por muitos de seus eleitores, especialmente pelos jovens e pelas classes operárias e mais desfavorecidas, que veem em Mujica uma espécie de Robin Hood da política, capaz de questionar o sistema.

Ciente dos riscos desta imagem, nos últimos meses Mujica se preocupou em transmitir tranquilidade às classes média e alta do país. Já aos empresários e investidores, prometeu um Governo bem parecido com o de seu colega de partido e atual presidente, Tabaré Vázquez.

Mais comedido e moderado, Vázquez, no entanto, várias vezes deixou transparecer suas diferenças em relação a Mujica. Nas prévias da Frente Ampla, por exemplo, ele apoiou o ex-ministro da Economia Danilo Astori, que acabou virando vice na chapa governista após complexas negociações.

Caso não se eleja, Mujica garantiu que vai deixar a política e se dedicar plenamente à manutenção da fazenda que possui nos arredores de Montevidéu, onde vive há anos com a senadora Lucía Topolanski, com quem se casou em 2005.

A relação dos dois começou em 1972, quando, na guerrilha, o candidato se envolvida em assaltos e sequestros, atividades que renderam a ele sete ferimentos a bala.

Com o retorno da democracia e beneficiado por uma lei de anistia, o ex-tupamaro passou a se dedicar à política, à antropologia e à literatura, três de suas paixões.

Mujica, que aparece em primeiro em todas as pesquisas, pretende instalar no Uruguai um governo "honesto", de "lutadores sociais, com a cabeça fria, o coração quente" e "as bandeiras da utopia bem altas".

Fonte: AFP
Retirado do Portal Vermelho

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Casamento coletivo global reúne 40 mil

Casais de várias cidades do mundo participaram de cerimônia. É o maior evento realizado pelo reverendo Moon desde 1999

Mais de 20 mil pessoas se reuniram nesta quarta-feira (14) no campus da Universidade Sun Moon, na Coreia do Sul, e outras 20 mil compareceram em cerimônias em outras cidades nos Estados Unidos, Austrália e países da América do Sul.
Casais de várias partes do mundo participaram da cerimônia coletiva organizada pela Igreja da Unificação, do reverendo Sun Myung Moon.
 
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